Nova exposição de arte em Macaé destaca o protagonismo feminino na Galeria Hindemburgo Olive
Mostra “Carne, Raiz e Memória” reúne obras de Luanny Vidal e Roberta Pimentel e propõe reflexão sobre identidade, corpo e memória feminina
Março começa com arte e reflexão em Macaé. A Galeria Hindemburgo Olive recebe a exposição coletiva “Carne, Raiz e Memória”, realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A abertura oficial aconteceu na última segunda-feira (23), na sede da galeria, na Avenida Rui Barbosa, 780, Centro, reunindo artistas, convidados e apreciadores das artes visuais.
Com curadoria de Gerson Dudus, a mostra reúne trabalhos das artistas Luanny Vidal e Roberta Pimentel, propondo um mergulho sensível e potente sobre o corpo feminino como território simbólico, orgânico e político.
📍 Onde: Galeria Hindemburgo Olive – Av. Rui Barbosa, 780, Centro
🗓 Visitação: Segunda a sexta-feira
⏰ Horário: 8h30 às 17h
💰 Entrada: Gratuita
Corpo como matéria viva
Nas pinturas a óleo sobre tela e esculturas de Luanny Vidal, o corpo aparece como matéria pulsante. Fragmenta-se, sente e se transforma. Carne e emoção revelam uma identidade em constante movimento, atravessada por vivências íntimas e cotidianas.
A artista define sua produção como autobiográfica. Em suas obras, explora o próprio corpo físico, as emoções que a atravessam e o olhar sobre o cotidiano sutil. A crueza das emoções humanas se mistura às especificidades que atravessam o corpo feminino, impactando o psicológico e a forma como a mulher constrói sua própria imagem.
Ao integrar uma exposição dedicada ao protagonismo feminino, Luanny amplia o alcance dessas narrativas e reforça a importância de diferentes vozes femininas ocuparem espaços culturais. Suas obras revelam emoções, contradições e o desejo de reconhecimento enquanto artista.
Processos do inconsciente e arquétipos femininos
Ao lado de Luanny, Roberta Pimentel amplia a discussão com trabalhos em óleo sobre tela, técnica mista, esculturas e instalações.
Na pesquisa da artista, o corpo feminino desloca-se para o campo dos arquétipos e dos processos do inconsciente. Figuras instintivas e estados de reconstrução afirmam o feminino como força lúcida — presença que reconhece seus limites e reorganiza seu território.
A mulher surge como bruxa, mulher-animal, corpo criativo, útero, presença que se descobre em múltiplas versões e formas de existir. Memórias pessoais, inconsciente coletivo e ancestralidade atravessam as obras, reforçando a ideia de que corpo e psique são indissociáveis.
Para a artista, a reconstrução do feminino está ligada à lucidez — reconhecer potenciais, reorganizar e transformar em consciência, gesto e permanência.
A exposição reafirma a importância de espaços culturais que promovem pluralidade e reflexão sobre questões contemporâneas. Ao ocupar a galeria com obras que tratam de emoção, identidade e pertencimento, “Carne, Raiz e Memória” transforma o espaço expositivo em território de escuta, sensibilidade e resistência.
Mais do que uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a mostra convida o público a refletir sobre as marcas físicas e simbólicas inscritas no corpo feminino ao longo da história.
Para quem aprecia arte contemporânea e quer viver uma experiência que provoca e emociona, a visita vale a pena. Em março, Macaé também respira arte.

