Laís Monteiro articula cultura preta, território e comunicação em uma atuação que conecta Macaé ao cenário nacional
5 mins read

Laís Monteiro articula cultura preta, território e comunicação em uma atuação que conecta Macaé ao cenário nacional

Compartilhe:

Ao longo de 2025, uma série de iniciativas culturais, formativas e audiovisuais realizadas em Macaé e fora dela ajudaram a fortalecer a identidade histórico-cultural do município, a partir de ações que unem comunicação, pertencimento e valorização do território. Por trás desse movimento está Laís Monteiro, macaense, jornalista, produtora cultural, artista, relações públicas, ativista negra e moradora da zona rural de Macaé.

Com uma trajetória construída entre a cidade e o cenário nacional, Laís desenvolve um trabalho que conecta cultura preta, responsabilidade social e economia criativa, gerando impactos diretos na valorização de narrativas locais, no turismo cultural e na projeção de Macaé para além do interior do estado.

Um ano marcado por ações contínuas no calendário cultural

As iniciativas de 2025 se distribuíram ao longo de todo o ano, ocupando diferentes momentos do calendário cultural macaense.

Em janeiro, Laís realizou o “Divulgaê Artista Macaense”, curso de formação em comunicação voltado a artistas e fazedores de cultura negros e periféricos, contemplado pela Lei Paulo Gustavo. A proposta ampliou o acesso a ferramentas de divulgação, posicionamento e fortalecimento de carreiras culturais.

Em junho, idealizou e realizou o “Festival da Preta”, que se consolidou como um festival de vivência e imersão na cultura preta macaense. Realizado em Trapiche, na Serra de Macaé, o evento integrou música, experiências na natureza, trilhas, banho de cachoeira, café da manhã da roça, alongamento com paisagem e convivência no território. Mais de 30 artistas de Macaé subiram ao palco, ao lado de nomes com reconhecimento nacional, movimentando o turismo cultural e a economia local.

Em outubro, Laís assinou a direção de produção da minissérie documental “Botecar Macaé – Histórias de Balcão”, do chef Hugo Dias. A produção registrou a memória afetiva da cidade a partir de bares tradicionais, reconhecendo esses espaços como pontos de encontro, cultura cotidiana e construção de identidade urbana.

Em novembro, esteve em Brasília a convite do Ministério da Igualdade Racial, representando o interior do estado do Rio de Janeiro na Marcha das Mulheres Negras, levando a vivência macaense para um dos maiores atos políticos e culturais do país.

Encerrando o ano, realizou o “Erê – O Festival do Crias”, contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc. O evento teve como foco a ocupação cultural da zona rural de Macaé e a valorização das infâncias, promovendo identidade, pertencimento e fortalecimento de vínculos comunitários.

Produzir a partir do território como escolha política e criativa

Fundadora da Monteiro Assessoria, empresa criada há dez anos, Laís construiu uma atuação que transita entre os âmbitos local, estadual e nacional sem romper com seu território de origem. Seu trabalho nasce em Macaé e se projeta para produções, artistas e iniciativas que hoje integram novelas, séries, espetáculos e projetos audiovisuais de alcance nacional.

Mesmo com a ampliação da atuação, fez da permanência em Macaé uma escolha estratégica, transformando o território em ferramenta de redistribuição de conhecimento, visibilidade e oportunidades.

“Meu trabalho não parte de um único lugar físico, mas de um território simbólico. Levo Macaé comigo por onde atuo, porque foi aqui que aprendi meu ofício, construí minha identidade e formei a base do meu olhar sobre comunicação, cultura e responsabilidade social”, afirma Laís Monteiro.

Impacto cultural, social e econômico

Ao longo de uma década à frente da Monteiro Assessoria, Laís Monteiro contribuiu para a consolidação de carreiras de artistas negros hoje reconhecidos nacionalmente, atuando no enfrentamento ao racismo estrutural na mídia e na ampliação de representações positivas.

Sua trajetória reafirma a potência de produzir a partir da zona rural e do interior do estado, demonstrando que impacto cultural, econômico e simbólico também se constroem a partir da permanência, do cuidado com o território e da valorização das narrativas locais.

Após um ano marcado por ações contínuas e distribuídas ao longo do calendário cultural, o foco para 2026 é ampliar o impacto cultural em Macaé e na região, consolidando projetos, fortalecendo redes e expandindo a circulação de iniciativas que nascem no território e dialogam com agendas estaduais e nacionais

Deixe um comentário