Radialista lança livro sobre primeiro ganhador olímpico do Brasil

Valorizar os macaenses que marcaram época e fizeram história. Se depender do radialiasta Mário Luiz Machado Silva, cada um deles ganharia um livro próprio. Curioso por natureza e apaixonado por História, Mário Luiz comemora o lançamento de seu primeiro livro, “Afrânio – A primeira medalha do Brasil, no peito, na raça e na…bala”, nesta quarta-feira (17), às 19h, no auditório da Associação Comercial e Industrial de Macaé (Acim).

Na obra, Mário Luiz apresenta um pouco sobre a biografia de Afrânio Antonio da Costa, macaense nascido na Imbetiba, que entrou para história do esporte mundial ao conquistar a primeira medalha olímpica para o Brasil. O livro é baseado em historiadores.

– Me baseei em pessoas que têm contato com a história dele e fui montando o livro, com pesquisa de documentos, internet. Na primeira parte, da infância, exaltei a cidade onde ele nasceu. Naquela época, a principal via de acesso era a rede ferroviária. Ele ficou em Macaé até os dez anos. Depois, quando ele já estava no Rio, consegui mais dados precisos sobre a história dele – explica Mário.

A produção do livro começou em 2015. Mas a primeira intenção era se fazer o roteiro de um filme, para ser lançado nas Olimpíadas do Rio. “Não foi possível, mas ainda tenho esse sonho. Contei com a ajuda do ator Aldebaran Bastos nessa produção”, acrescenta, lembrando que outro evento de lançamento da obra será realizado na Casa de Cultura Professor Adelino de Campos Tavares, na sexta-feira (19), em Conceição de Macabu, também às 19h.

AFRÂNIO – Afrânio conquistou a medalha olímpica de prata no campeonato de tiro, com uma arma emprestada, uma Colt 22, na Bélgica, em 1920. Mário conta que, em Macaé, Afrânio estudava em casa. Foi só no Rio de Janeiro que ele foi para escola. “A infância dele, eu conto de forma mais romanceada, de forma lúdica. Quando ele foi para o Rio, na Laranjeiras, conviveu com Machado de Assis. Suas famílias eram amigas. O pai era tabelião e virou advogado. Ele se formou e atuou junto com o pai com advocacia”, explica.

Luiz Mário conta que, a princípio, Afrânio saiu do país humilhado para disputar a competição de tiro. “Saiu com sua equipe e foi motivo de chacota na principal imprensa na época, a carioca. Ele e um grupo de atletas embarcaram em um navio que era próprio de viagem. Era desconfortável, eles não tinham lugar para treinar e dormir direito. Dormiam num bar à noite, após o ultimo bêbado deixar o local”.

Segundo o autor, a equipe desceu em Portugal, pegou um trem para Paris e foi roubada. “Eles chegaram nas Olimpíadas sem condições de disputar. Lá, fizeram amizade com um grupo de atletas americanos, que emprestou a arma. Foi com ela que ele disputou e ganhou a medalha de prata. Em seguida, a equipe ganhou uma de bronze e um amigo pessoal conseguiu a de ouro. Voltaram ao Brasil como heróis, com as três medalhas”, explica.

Após voltar ao Brasil e ser recebido pelo presidente Epitácio Pessoa, no Catete, Afrânio deu início à sua trajetória na vida pública. Foi ministro do Tribunal Federal de Recursos, inclusive sendo convocado por diversas vezes pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, em substituição a ministros ausentes, e responsável pelas primeiras eleições democráticas. Foi provedor da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro.

Afrânio ajudou a fundar a Confederação Brasileira de Tiro Esportivo e foi um de seus presidentes, tendo sido também presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA), chefiando a delegação brasileira na Copa do Mundo FIFA de 1930 e sido diretor de tiro do Fluminense, clube pelo qual competia.

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