Macaé Tips entrevista: Aline Brant

Conversamos com Aline Brant, fotografa macaense, que tem revolucionado a sua arte com aplicações de linhas bordadas em suas fotos.

Aline nasceu em Macaé, e passou parte da infância morando em uma zona rural às margens da BR 101, onde hoje existe uma Reserva Biológica. Ela nos contou que foi um período de construção de uma visão crítica a respeito da beleza e da importância da imagem. Mais tarde desenvolveu o interesse pelas artes visuais durante trabalhos ligados à comunicação, cultura e contracultura, participando em coletivos independentes e em iniciativas privadas

MT: Aline, apresente-se… conte um pouquinho como começou no mundo da fotografia?

AB: Trabalhar com fotografia é algo que faço desde 2010. É um universo que me permite materializar pensamentos utilizando imagens reais. A imagem é uma comunicação muito potente e gosto de me relacionar com ela, reproduzir novas visões de vida.

MT: Como surgiu o a junção do bordado e da fotografia na sua arte?

AB: Ao longo do tempo, passei a me aprofundar na pesquisa em arte, participando de cursos principalmente no eixo RJ/SP. Durante essa pesquisa conheci muitas técnicas em artes visuais, principalmente no universo do tratamento analógico da fotografia impressa. O bordado foi um experimento nas minhas fotografias, nunca havia bordado antes. Utilizei propostas ilustrativas e comecei a me comunicar de uma forma muito especial. Passei então a pesquisar e a produzir mais em arte têxtil, como uma vertente.

MT: Como é o seu processo de criação, desde o conceito da fotografia até a adição do bordado as suas criações?

AB: Gosto de buscar uma relação com a obra durante todo o processo. Às vezes começo com a ideia inacabada e vou me inspirando à medida que faço. Outras vezes, fotografia e intervenção já vêm pronta na mente e quando começo a desenvolver, tudo muda. A inspiração inicial depende quase sempre de acontecimentos potentes. Um notícia ruim, um relato, uma longa conversa, a descoberta de um lugar ou de uma canção. Quase sempre procuro reparar potências singelas em afetos e vidas de pessoas com as quais convivo.

MT: Como tem sido esse processo de exposição on-line, estamos passando por um período tenso e como tem sido poder fazer com que as pessoas consumam a sua arte mesmo em casa?

AB: Esse momento é muito oportuno para uma exposição on-line. Fico muito feliz em ser convidada pelo Museo de Las Mujeres da Costa Rica para Expor ANCAS, um trabalho que reúne uma série potente sobre a mulher e sua essência. A divulgação deste material pelas redes sociais tem alcançado um público incrível de mulheres, o que me mostra que a proposta é muito válida, embora alguns elementos curatoriais da exposição precisem ser substituídos. E uma forma de continuar trabalhando e contribuindo para a manutenção da arte e do seu papel fundamental na sociedade.

MT: O que você pode dizer para pessoas que querem começar na fotografia, o que poderia inspirá-las

AB: Que a gente utilize a arte como ferramenta de exteriorização dos nossos símbolos, sem máscaras. Porque precisamos disso. O mundo precisa disso. De novas simbologias estéticas e morais, que nos tornem pessoas cada vez mais honestas, reconhecidas de si e felizes.

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