Carukango, o príncipe Quilombola de Macaé

O Dia da Consciência Negra (20/11) é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. e procura ser uma data para se lembrar da resistência do negro à escravidão de forma geral . Durante essa semana o Macaé Tips irá trazer histórias da nossa região. 

Você sabia que a maior Quilombo do estado do Rio de Janeiro era na serra de Macaé? O nome do quilombo refere-se ao seu líder chamado de Carukango

Quem foi o escravo Carukango

No início do século XIX chegou ao porto de Imbetiba em  Macaé um escravo moçambicano, baixo, corcunda, manco da perna esquerda, como o nome de Carukango. Ficou conhecido no navio  por seus dotes de líder espiritual, ou nos dizeres da época: feiticeiro.
Carukango foi vendido ao fazendeiro Francisco Pinto, cuja família era muito numerosa e poderosa na região. As suas fazendas ficavam na Freguesia de Nossa Senhora das Neves e Santa Rita, atualmente parte do município de Macaé, que na época pertencia à cidade de Cabo Frio.

O Quilombo

Imagem: reprodução

Quilombo de Carukango era um desses agrupamentos que ameaçavam a ordem da Colônia. Situava-se mais precisamente num platô localizado na Serra do Deitado ,entre Macaé e Conceição de Macabu. Constituindo-se em uma das maiores comunidades quilombolas do Estado do Rio de Janeiro, o quilombo  desenvolvia diversas atividades agrícolas, além da caça e da pesca. E resistiu por mais de 2 décadas.
Através de constantes ataques às fazendas da região, Carukango e seu grupo provocou constantes saques e fugas de escravos. Os atritos entre feitores e aquilombados cada vez mais aumentavam de intensidade. Em certa ocasião, o grupo de Carukango atacou de maneira fatal o irmão de seu antigo dono .A partir daí, Francisco Pinto não deu trégua a Carukango. E com a ajuda do Coronel Antônio Coelho Antão de Vasconcellos, chefe do Distrito Militar da Capitania do Espirito Santo, aplicou sucessivos ataques e alcançou o quilombo. edicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.

Morte de Carukango

Existem duas versões sobre a morte de Carukango e a destruição do Quilombo .

Versão mais popular

A mais conhecida, e que muitos historiadores garantem se tratar de uma lenda , conta que o chegar no Quilombo de Carukando o coronel Antônio Coelho Antão de Vasconcellos e seus soldados se depararm com centenas de escravos, armados de foices, lenças e algumas armas de fogo, prontos para se defenderem. Ao perceber a luta desproporcional que havia inciado Carukango surge no meio de todos, paralisando a briga. Usando um manto branco religioso e com um crucifixo no peito, se aproximou do grupo invasor dando a entender que ia se render mas de repente sacou uma pistola que estava escondida em baixo do manto e dispara contra o filho mais novo de Francisco Pinto. Imediatamento Carukango foi linchado e ao ver o seu lider morto os quilombolas que não haviam sido atingindo se suicidaram, se jogando de penhascos.

Versão dos historiadores

A versão dos historiadores, que tem como base o documento intitulado
” Livro de Registros de Óbitos da Freguesia de Nossa Senhora das Neves e Santa Rita/1808-1847″, no relado do Vigário João Bernardo da Costa Resende, o ataque ao ” Quilombo do pé do Rio Macabú” ocorreu no dia 01/04/1831, uma sexta feira santa. Ele conta que o chefe do Quilombo negociou a sua rendição, dizendo aos soldados que se entregaria em troca de polparem  a sua vida e de seus companheiros de quilombo. O comandante deu sua palavra, aceitando os termos da negociação e após todos se entregaram o soldado José Nunes do Barreto atirou no lider quilombola, quando Carukango caiu de joelhos outro soldado atirou por trás matando-o .Após os combates, todos os guerreiros ainda vivos foram degolados, e seus corpos foram atirados nos penhascos, junto com os corpos dos mortos e feridos. Somente as mulheres foram poupadas e devolvidas aos seus donos. O grande quilombo e todas as plantações foram queimados. E Carukango, para que o seu exemplo não fosse seguido, seu corpo retalhado foi exposto nas fazendas da região, e sua cabeça foi espetada numa lança e colocada na estrada de maior movimento até a sua completa decomposição.

Curiosidade: Alunos do colégio Colégio Municipal Ivete Santana Drumond de Aguiar, situada no Frade, sob a coordenação da professora Rossana Nunes em 2013 lançaaram o livro : “O quilombo do Carucango”  uma obra produzida por cerca de 50 alunos dos 6º e 8º anos.Você encontra a versão digital do livro aqui

 

A localização precisa do Quilombo de Carukango ainda está sob pesquisas.

Já conhecia a história de Carukando?

 

Fonte: Winkipédia

 

 

Comentários

comentários

2 Replies to “Carukango, o príncipe Quilombola de Macaé”

  1. Não conhecia!
    Eu lembro de ter estudado algumas histórias de Macaé no ensino fundamental, mas acredito que isso deveria ser assunto pra ensino médio!

    Macaé tem muita história que até quem é nascido na cidade desconhece…
    Acho importantíssimo que nós possamos conhecer a cultura e história da nossa cidade.

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